Esta página contém registros importantes sobre o meu trablho como professora de Língua Portuguesa da Escola Machado de Assis, Igrejinha -RS. Estas postagens servem como relatórios das atividades propostas pelo curso Gestar II, oferecido a toda rede, sendo este ministrado pelo também professor Cassiano Haag.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

AAA 1- A estranha passageira - STANISLAW PONTE PRETA


1º Orientações aos alunos: Você vai ler um texto cujo título é “A estranha passageira”. Antes, porém, vai fazer previsões sobre ele. Depois da leitura, você poderá compará-las com os significados do texto. Para fazer as previsões, considere as perguntas abaixo:

A história é mais voltada para a realidade ou para a ficção?
Por que será que a passageira é estranha?
Quem é ela?
É passageira de automóvel? Trem? Navio? Avião?
Quem será o narrador, isto é, quem conta a história?
Será sério esse texto? Ou engraçado? Ou triste?

2º Para saber, vamos à leitura!

A estranha Passageira

1 – O senhor sabe? É a primeira vez que eu viajo de avião. Estou com zero hora de vôo – e riu nervosinha, coitada.

2 Depois pediu que eu me sentasse ao seu lado, pois me achava muito calmo e isto iria fazer-lhe bem. Lá se ia a oportunidade de ler o romance policial que eu comprara no aeroporto, para me distrair na viagem.
Suspirei e fiz o bacano respondendo que estava às suas ordens.

3 Madama entrou no avião sobraçando
um monte de embrulhos, que segurava desajeitadamente. Gorda
como era, custou a se encaixar na poltrona e a arrumar todos aqueles pacotes. Depois não sabia como amarrar o cinto e eu tive que realizar essa operação em sua farta cintura.

4 Afinal estava ali pronta para viajar. Os outros passageiros estavam já se divertindo às minhas custas, a zombar do meu embaraço ante as perguntas que aquela senhora nem fazia aos berros, como se estivesse em sua casa, entre pessoas íntimas. A coisa foi ficando ridícula.

5 – Para que esse saquinho aqui? – foi a pergunta que fez, num tom de voz que
parecia que ela estava no Rio e eu em São Paulo.

6 – É para a senhora usar em caso de necessidade – respondi baixinho.

7 Tenho certeza de que ninguém ouviu minha resposta, mas todos adivinharam
qual foi, porque ela arregalou os olhos e exclamou:

8 – Uai... as necessidades neste saquinho? No avião não tem banheiro?

9 Alguns passageiros riram, outros – por fineza – fingiram ignorar o lamentável
equívoco da incômoda passageira de primeira viagem. Mas ela era um azougue (embora
com tantas carnes parecesse um açougue) e não parava de badalar. Olhava para trás,
olhava para cima, mexia na poltrona e quase levou um tombo, quando puxou a alavanca
e empurrou o encosto com força, caindo para trás e esparramando embrulhos para
todos os lados.

10 O comandante já esquentara os motores e a aeronave estava parada, esperando
ordens para ganhar a pista de decolagem. Percebi que minha vizinha de banco apertava
os olhos e lia qualquer coisa. Logo veio a pergunta:

11 – Quem é essa tal de emergência que tem uma porta só para ela?

12 Expliquei que emergência não era ninguém, a porta é que era de emergência, isto
é, em caso de necessidade, saía-se por ela.

13 Madama sossegou e os outros passageiros já estavam conformados com o término
do “show”. Mesmo os que mais se divertiam com ele resolveram abrir os jornais, revistas ou se acomodarem para tirar uma pestana durante a viagem.

14 Foi quando madama deu o último vexame. Olhou pela janela (ela pedira para
ficar do lado da janela para ver a paisagem) e gritou:

15 – Puxa vida!!!

16 Todos olharam para ela, inclusive eu. Madama apontou para a janela e disse:

17 – Olha lá embaixo.

18 Eu olhei. E ela acrescentou: – Como nós estamos voando alto, moço. Olha só... o
pessoal lá embaixo até parece formiga.

19 Suspirei e lasquei:

20 – Minha senhora, aquilo são formigas mesmo. O avião ainda não levantou vôo.

Preta, Stanislaw Ponte. Garoto linha dura. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1975.

3º Questões de interpretação e concordância verbal;
4º Produção textual: criar um personagem, com riquesa de detalhes, quanto às suas características. Depois, descrevê-lo e desenhá-lo. Após tê-lo criado, construir uma história, também ssobre uma viagem. Porém, a mesma não precisa ser cômica. Mas deve ocorrer durante uma viagem, em mum transporte coletivo.

Um comentário:

Ana disse...

Adorei esse Texto "A 'estranha Passageira"muito interesante!!!!!!!!!!!!!!